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sábado, 19 de novembro de 2016

Revisitando Dragões (Parte 2 - O Guardião)


- Quem é este dragão pardo?

- Ele nasceu das forças do mal e é comandado por um inimigo nosso, que vive muito ao norte, nas terras frias. Seu coração é mais gélido que as neves dos extremos da terra. Além de um animal de muita força, ele é também muito poderoso, perigoso e sabe onde o menino está. É só uma questão de tempo até cá chegar, com o pior dos intuitos. Há uma profecia conhecida que diz que só poderá ser destruído por um guerreiro alimentado com o poder dos sete dragões. Nós sabemos quem este guerreiro é… ele também. O que nós temos que fazer é prepará-lo e evitar o confronto direto, pois pode ser fatal para um dos dois. Se o dragão vencer, será o nosso fim. E ele destruirá tudo e todos que forem contra o seu senhor. Vamos precisar de toda a nossa inteligência em montar uma estratégia e…

O dragão fez uma pequena pausa.

- … e de tempo…, mas este talvez não seja o nosso maior problema.

- O pai… Acredito que ele possa ser um grande empecilho.

- Eu sei. Ele passou maus bocados por causa do acidente com aquela criança. Não vai aceitar ceder assim fácil. Mas temos que falar com ele. Não temos outra alternativa…

- Talvez tenhamos…

O dragão olhou o velho homem e compreendeu, instintivamente, aquela mensagem.

***

- Wow! Isso é sério?

- Mais do que sério!

- Mas eu não serei capaz! Sou pequeno e fraco…

- Por isso nós devemos preparar-te e ensinar-te a lutar… para proteger a ti e a todos…

Os olhos do menino brilharam, mas uma sombra de preocupação seguiu-se á aquela momentânea euforia.

A armadura era, obviamente, grande demais e, para empunhar uma espada verdadeira, ainda era muito cedo.

O velho, então, entregou-lhe um bastão de madeira feito a partir de um pedaço de um tronco de laranjeira. O artefacto era coberto por uma camada lustrosa e apesar de muito suave ao toque, também aparentava ser bastante resistente.

E os ensinamentos começaram… Para evitar maiores constrangimentos, as lições eram dadas muito cedo na madrugada até o nascer do sol. A intenção era evitar serem vistos e o confronto iminente com o pai do aprendiz que, invariavelmente, teria que saber de qualquer jeito... quando o momento fosse mais propício.

O velho mostrava os princípios básicos de combate e de como empunhar uma arma e fazer uso dela, especialmente de maneira defensiva. O dragão ensinava-o a pensar estrategicamente, a procurar os pontos fracos do inimigo e a explorar a velocidade do pensamento. O menino era um excelente pupilo, sempre aberto a absorver os novos conhecimentos e era, também, muito curioso. Apesar do que havia passado, suas pernas e braços eram bastante ágeis e sua mente, extremamente sagaz.

O dragão observava o menino com orgulho, enquanto este aprendia o que lhe era ensinado, com precisão e com a habilidade de um verdadeiro guerreiro.

O velho sabia que o tempo corria contra eles e que, mais cedo ou mais tarde, teriam que revelar, à família do rapaz, o que estava acontecendo e o que viria a acontecer, no futuro. Ele, todavia, evitava revelar toda a verdade, com receio que, se soubessem que o dragão pardo queria a destruição do guardião, para poder reinar sobre toda a terra, iriam duvidar da palavra deles, ou esconder o filho, por isso decidiram que iriam inventar uma desculpa qualquer, se fossem vistos a treinar o rapaz.

Os pais, como seria de esperar, logo descobriram e foram totalmente contra, proibindo aquele tipo de treinamento, veementemente. Bastou alguns dias, porém, para os três arranjarem uma outra forma de se encontrarem, retomando a tarefa, cada vez com mais afinco, sempre que lhes era possível.

Uma madrugada, porém, o menino não apareceu. Pensando tratar-se de um empecilho qualquer com o pai, o velho e o dragão ficaram quietos, sem criar nenhum alarde, aguardando o amanhecer.

Algumas horas passaram, sem que o aprendiz chegasse. O som de passos apressados deixou-os em estado de alerta. Os dois esperaram, para ver o que acontecia. O caçador, pai do menino, vinha a passadas rápidas e com uma mistura de fúria e preocupação estampada no rosto.

- Eu avisei que não queria meu filho envolvido nesta aventura, brincadeira ou o que quer que vocês estejam tramando.

Pegos meio desprevenidos, os dois não disseram nada, já sentindo-se culpados. O homem estava mesmo furioso.

- Onde está o meu filho? Quero saber agora!

Os dois trocaram um olhar suspeito e preocupado e, quando se voltaram para o homem, aquele percebeu que algo estava muito errado, pela expressão grave na face do velho homem.

- Oh, não! Não, não, não!

- Ele não está, nem esteve connosco hoje. E isso é grave; muito grave. Temos que procurá-lo, imediatamente. Ele pode estar em grande perigo…

- E não está preparado para defender-se… ainda… O treino não foi suficiente!

- Isso é outra das artimanhas de vocês, os dois? Mais uma vez ele corre perigo por causa de vocês! Desta vez, não vou perdoá-los…

- Não. Ele está em perigo, porque ainda não está preparado para defender-se. Tomara que não seja o que estamos pensando… Se for, é melhor nós corrermos. Acho que temos que pedir ajuda aos nossos companheiros alados.

O velho, então, contou ao pai do menino toda a verdade sobre a profecia e sobre o dragão pardo e seu plano malévolo, o que aumentou a preocupação do homem… e a deles também.

Estava mais que na hora de trazer os outros seis dragões para perto deles. O menino precisava ser encontrado, antes que fosse tarde demais.

O dragão verde-azulado preparava-se para levantar voo e buscar os companheiros, quando o chão sobre os pés deles estremeceu grandemente, para surpresa de todos. Os homens olharam para o dragão, que olhava para o centro da clareira, com uma expressão ameaçadora.

Um grande animal pardo surgiu e aproximou-se deles, com a boca escancarada, pronto a atacá-los…